Diário de Bordo

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Diário velho

  Relato da viagem de Nova Santa Rita (Grande Porto Alegre) até Florianópolis.
Obs: Nesta parte da vigem o barco só tinha o casco, convés e motor.
Não tinha interior, velas, mastros etc. Os moveis erão duas redes o equipamento de navegação um gps de mão, uma lanterna a pinha, uma luz florecente ligada na bateria do motor.
Os equipametos de âncoragem uma âncora danforde de 12kg e 20m de cabo.

Rio Guaíba

Sai dia primeiro  Novembro de 2005 de Fpolis as 23:00 eu e o Edu para buscar o veleiro na marina do Arado em Poa com destino Fpolis.

Chegamos as 7:00h do dia seguinte na rodoviária de Poa onde meu irmão foi nos buscar para levar até a marina no caminho já aproveitamos para fazer as compras para a viagem 200litros de diesel e rango p/ 3 dias.

Sai as 13:00h do Arado encalhamos na saída da marina que estava sem uma bóia de sinalização ( bóia verde ) sem problemas o pessoal da marina nos deu um reboque.
Seguimos viagem até a prainha de Itapuã onde passaríamos a noite daí descobri que a âncora que eu comprara em Fpolis uma Danfor de 13kg não segurava nada nem a aragem fraca que as vezes batia na praia que nem onda tinha resultado encalhamos de novo.

 

Lagoa dos Patos


Acordamos as 06:00h do dia 03/11/2005 desencalhamos o barco sem dificuldades e nos tocamos lagoa adentro rumo ao porto do barquinho lado leste da lagoa pegamos ventos fortes a favor e ondas de uns 2m que volta e meia nos fazia dar uma atravessada lá pelo meio da lagoa em uma destas atravessadas o motor apagou o fio que deixa a solenóide da bomba de diesel aberta soltou ( estava ligado no pólo da bateria sem botão liga e desliga ) liguei novamente o fio e bati no arranque e nada e o vento nos levando p/ a praia troquei a bateria e nada fiz uma direta no arranque dai ele pegou.

As 16:00h achamos no horizonte o farol Cristóvão aviamos finalmente atravessado a lagoa como a carta indica profundidade de 5m próximo a praia passamos a andar paralelo a praia por ser mais protegido do vento não tendo quase ondas as 18:00h resolvi parar para passar a noite nesta de parar chegamos perto demais da praia e encalhamos de novo desliguei o motor para ligar a reversão e ele não ligou mais nem com direta no arranque medi a carga das baterias uma com 4v e a outra com 6v tentei ligar em série mais nem assim deu jeito. Passamos a noite encalhados.

 

Acordei de manhã cedo e fui atrás  de ajuda, depois de caminhar a manhã toda finalmente achei em um sítio com um cara que tinha um trator. Tiramos a bateria do trator e liguei no barco, mas não consegui desencalhar. O dono do trator disse que ali perto, 20km, havia uma vila de pescadores e eles poderiam ajudar no desencalhe com os botes. Haviam 3: um com motor MWM de 90hp, outro com um Agrale de 24hp, e o último com um Tobata de 9hp. Voltei ao sítio de trator, conheci o Claertom, filho do dono do sitio, e me levou até a cidade mais próxima Tavares (depois de10 anos lá estava eu de volta a Tavares desta vez não de Turuna (coisa do coroa), mas de barco). A cidade fica a 8 km do sítio, fomos até lá de trator e pegamos um ônibus até a vila de pescadores. Chegamos lá as 18:00h, falei com os pescadores que estavam justamente amarrando os botes para esperar um temporal que se formava. Naquele dia não deu para fazer nada, devido ao temporal. Só restava rezar e aguardar até o dia seguinte. Meia hora depois veio o temporal, e eu ainda estava tentando voltar para o barco, pegamos uma carona de caminhão, eu e o Claerton, até Tavares dali fomos até o barco de trator, isso já era noite cerrada. Para minha surpresa, encontrei o Edu, que era para estar cuidando do barco, dentro de um farol ali perto se protegendo da chuva que ainda caia. O barco estava de lado, a uns 60cm de profundidade, o vento arrastara a âncora e não havia nada que ele pudesse ter feito.

 

Passamos aquela noite no sítio do Claertom. No outro dia, o pai dele deu a ideia de ir à prefeitura falar com o prefeito para ver se ele arrumava um carro. O prefeito disponibilizou o carro, e fomos até a vila. Por telefone o prefeito conversou com o Nei, pescador mais experiente da vila, que informou que o bote maior, equipado com o motor MWM, estava jogado em cima da grama devido ao temporal que o arrastou mesmo estando a seis âncoras do tipo mexicanas.

 

Saímos de Tavares no carro da prefeitura, com 20litros de diesel doados pela mesma e mais a patrola da prefeitura que iria fazer melhorias no Portinho da Vila.

 

A tarde apareceu um trator que colocou o bote de volta na água. No final da tarde saímos para tentar fazer o desencalhe com dois botes, o maior, com o MWM (PATRULHEIRO), e o equipado com motor Agrale (IEMANJÀ). Eu estava no bote menor junto com o filho do Nei, que é o dono do Bote. No bote maior estavam: o Mauro, dono do barco, seu filho, Edu e o Claerton. Conseguimos virar a proa do Tupã para fora (estava virada p/ praia) e andamos alguns metros forçando muito os dois botes.

Segundo o Mauro, o barco só sairia com maré alta, quer dizer com outro temporal de vento norte, dai o Edu voltou com o Mauro e os demais pescadores para vila. Ele ficaria hospedado lá até a maré subir, e eu voltei para o sitio do Claerton que arrumou um eletricista. Após analisar, constatou que o defeito era um fio solto dentro do alternador, solda fria que provavelmente soltou com o balançar das ondas na travessia.

 

Passou uma semana e nada de maré subir, resolvi então voltar à vila para falar com o pessoal. Saí às 8:00h caminhando pela praia, cheguei às 15:30h e o Edu já tinha virado pescador até com proposta de emprego. Expliquei novamente a situação, dizendo que tanto eu como o Edu tínhamos trabalho e deveríamos voltar para SC. Combinamos de tentar novamente desencalhar no outro dia cedo. Passei a noite na casa do Mauro.

Saímos cedo com os dois botes, desta vez o Nei foi junto. Amarramos os dois na proa do Tupã com um ângulo de mais ou menos 45 graus ligados em marcha um pouco mais que lenta, e o Tupã também ligado. Os botes foram cavando, isto mesmo, fazendo buracos jogando areia em direção a popa do Tupã. A areia pegava o fluxo da hélice do Tupã e ia parar na praia, resultando numa trincheira de mais ou menos 25 metros no baixio. Lá pelas 12:00h o barco flutuava novamente.

No final do desencalhe o motor do Tupã apagou, amarrei-o no reboque do Patrulheiro e ancoramos frente a vila. Sairíamos no outro dia pela manhã.

Acordamos cedo, tomamos café, e o Mauro nos levou até o Tupã. Ao verificar o óleo e água: surpresa não havia água no radiador, a mangueira tinha estourado (deve ter super aquecido durante o desencalhe), cortei fora o pedaço rasgado e completei o radiador e pedi ao Mauro que ficasse de olho em nós, pois não sabia se o motor tinha “ido para o pau”.

Liguei o motor, e “picamos a mula”, 30 minutos depois a mangueira voltou a estourar, desta vez ao comprido, mas, para nossa sorte, tínhamos um pedaço da mesma bitola só que não era para agua quente.

Tentei parar no Porto do Barquinho, mas não achei a entrada do canal. Não existia mais sinalização por lá. Depois de dar mais uma encalhada, resolvi tocar lagoa a dentro sabia que não pegaria a entrada do canal de Rio Grande de dia e que era muito perigoso chegar lá a noite. Voltou a ventar nordeste e levantar ondas de mais de 2m, a única alternativa era achar uma bóia, sinalizadas na carta náutica, que existe no meio da lagoa,

com a ajuda de um GPS de mão. Encontramos a tal bóia lá pelas 18:00h, passei-a e retornei para abordá-la de proa, contra o vento. Bom, o barco contra as ondas não avançava, daí passei a bordejar como se estive-se velejando contra o vento. Quando finalmente conseguimos chegar perto da bóia, a onda nos levantou e quando desceu o barco chocou-se contra ela (pela porrada, se o barco fosse de madeira ou fibra teríamos naufragado). O Edu, que estava na gaiuta de proa, tinha passado dois cabos de 14mm no ferro da bóia mas não estava conseguindo segurar, daí o barco foi para cima da bóia. Tentei empurrar a bóia e acabei na água as 18:00h com ondas de mais de 2m! Nadei em direção a bóia, subi nela de tênis calça camisa etc. Prendi, um dos cabos que o Edu tinha passado, na bóia, o outro o Edu amarrou um colete salva-vidas. Coloquei o colete e amarrei o cabo na cintura, a outra ponta estava amarrada no Tupã. O Edu fez várias laçadas no cabo, simulando uma escada, e lá pela 4ª tentativa consegui subir no barco.

Para ter uma idéia, volta e meia, o Tupã mergulhava a proa na água e ela entrava pela gaiuta.

1 comment Outubro 4, 2008

Serge Testa

 

Serge Testa, pela audácia de seu projeto, é considerado um dos maiores aventureiros que viveram no século passado. Em 1984 embarcou sozinho da Austrália para dar a volta ao mundo em um veleiro, o Acrohc, de 3,5 m (12 pés), construído por ele próprio. Sua missão era dar a volta ao mundo. Conseguiu fazê-lo em 500 dias e entrou para o Guinness como a volta ao mundo na menor embarcação. Mesmo sendo um navegante pouco experiente, Serge soube, com muita garra e determinação, superar o desconforto de estar à bordo de um barco pequeno ao enfrentar ventos e ondas nos oceanos que atravessou. Segundo sua descrição, o Cabo da Boa Esperança ofereceu-lhe dificuldades inesquecíveis.

Serge partiu da Baia de Mossel em 20 de outubro de 1985, e no quarto dia se encontrava ao Sul do Cabo da Boa Esperança. Descreveu este dia como um dia no inferno. O vento soprava de sudoeste, e as ondas vinham de todas direções. Não eram de forma alguma moldadas pelo vento local. Faziam o que queriam, rebeldes, nem se importavam com o que o vento tentava dizer. Serge estimava que ondas de 5 metros estavam atingindo-o, mas quando um navio passou a poucos metros do Acrohc (a quem carinhosamente chamada de seu iate de 12 pés), pode avaliar que as ondas eram muito, mas muito mais altas. Deviam estar próximo a 10 m de altura. Faltaram ainda 40 milhas para chegar à Cidade do Cabo. O motor parou de vez, devido a ter ficado tanto tempo submerso. Velejando contra o vento, a 50 nós, mal conseguia manter a posição. Era a quarta noite seguida quase sem dormir, e o vento continuava a evoluir. Enquanto ventos de 70 nós inclinavam o Acrohc em 45 graus, Serge batalhava contra o sono e contra o vento. Depois de 6 horas de luta mal conseguia manter o veleiro em sua posição.

Depois soube que o vendaval foi dos mais fortes que a Cidade do Cabo viu no últimos anos. Causou danos espetaculares. Muitos iates foram arrancados de suas amarras, residências destelhadas, árvores e carros tombados. Também uma frota participando da Regata Whitbread ao redor do mundo, estava se aproximando da Cidade do Cabo nesta ocasião. Um chegou sem mastro, e vários outros foram danificados.

Mas se voce, leitor, insistir em repetir os feitos de Bartolomeu Dias e Serge Testa, escolha os meses de verão. Serge Testa o fez durante o verão, e pode contar que viveu um dia de inferno. Quem arriscar fazê-lo no inverno, talvez nem possa contar nada.

Add comment Outubro 3, 2008

Últimas da Volvo Ocean Race

O comandante brasileiro Torben Grael anunciou a contratação de João Signorini e Horácio Carabelli para a tripulação do veleiro 1 da equipe Ericsson, que irá dar a volta ao mundo na Volvo Ocean Race 2008-2009. A multinacional sueca irá competir com dois barcos na maior regata oceânica do mundo.
O trio fez parte da tripulação do Brasil 1, primeiro barco brasileiro na competição, que terminou em terceiro lugar na edição 2005-2006 da regata. Na ocasião, Torben também foi o comandante.

Abaixo uma foto do Brasil 1 em ação:

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Add comment Dezembro 12, 2007

Bem-vindos ao blog do Tupã!

Olá! Este é o blog do veleiro Tupã. Aqui vou colocar informações sobre o veleiro, para todos os que tiverem interesse em conhecer o barco e participar das nossas velejadas. Este blog foi feito por um casal de amigos meu, Gustavo Brum, que é designer, e Marsella Fletes, administradora de RH. Este é o blog deles. Nesta página vou colocar novidades, falar das velejadas que já aconteceram, e escrever sobre as últimas novidades do mundo da vela. Nesta página quero colocar alguns vídeos e imagens sobre os passeios do Tupã, e tudo o que tem a ver com veleiros. Assistam agora este vídeo de um Open 60, voando baixo. O Spinnaker chega a tirar a proa da água!

Não se esquecam de visitar o blog sempre, deixem seus comentários, entrem em contato, e bons ventos!

Augusto

1 comment Outubro 29, 2007


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